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Opinião

19/01/2017

Editorial

Adeus a Obama e à sua sensatez
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Hoje, pode-se dizer, é o último dia dos 8 anos de mandato de Barack Obama à frente da presidência dos Estados Unidos. Sim, foram dois mandatos (2009-2013 e 2013-2017) praticamente sem máculas, se avaliarmos do ponto de vista da ausência total de escândalos pessoais, de denúncias de corrupção que envolvessem o presidente ou alguém a ele diretamente ligado.

É indiscutível que Barack Obama não tenha agradado a todos nem cumprido tudo a que se propôs. Mas, por outro lado, fica a impressão de que ele muito se esforçou para atingir suas metas. Sinal disso pode ser, por exemplo, os 53% de aprovação entre os eleitores norte-americanos alcançados por Obama em algumas das últimas pesquisas de opinião divulgadas antes da posse de seu sucessor, Donald Trump, nesta sexta-feira, 20 de janeiro.

Trump, por sua vez, chega à Casa Branca com aprovação considerada baixa e a menor popularidade para um presidente do país em décadas. As pesquisas mais propaladas nos Estados Unidos nesta véspera de sua posse indicam que o magnata estaria com 20 pontos a menos, em popularidade, que seus antecessores.

Para não fugir ao que tem se tornado quase regra, desde que teve sua vitória confirmada nas eleições presidenciais, Trump criticou as pesquisas que derrubam sua popularidade: “As mesmas pessoas que fizeram as falsas pesquisas eleitorais, e que estavam tão equivocadas na época, agora estão fazendo pesquisas de classificação de aprovação, que estão erradas como as de antes”, afirmou no Twitter.

Enquanto isso, Barack Obama é reconhecido, também pela opinião pública mundial, como um dos mais populares presidentes norte-americanos em todos os tempos.

A recuperação econômica dos Estados Unidos, que continua em franco crescimento e 15 milhões de empregos a mais, e o sistema de saúde Obamacare – que, grosso modo, teria tornado os cuidados com saúde mais acessíveis a um número maior de pessoas - são considerados os principais legados do presidente Democrata para o país e os norte-americanos. O Obamacare, no entanto, enfrenta forte resistência de Donald Trump, que, antes mesmo de assumir, já “ordenou” ao Congresso que derrube o programa.

No discurso de despedida que fez há uma semana, Barack Obama apontou que, pela primeira vez, 90% dos norte-americanos têm acesso a planos de saúde – com os 20 milhões de usuários do Obamacare. Na economia, afirmou ele, sua gestão, além de garantir empregos, regulamentou o setor financeiro e permitiu às empresas terem seus valores triplicados na bolsa.

Há certo consenso em torno de que evitar a recessão, fortalecendo a economia dos Estados Unidos, seja, sim,  o grande legado do governo de Barack Obama. E é unânime também o entendimento de que Obama muito conquistou por seu tom conciliador, mediador, por sua sensatez.

A partir de amanhã, os norte-americanos e o mundo todo estamos a postos à espera da razoabilidade de Donald Trump.

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