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Opinião

21/01/2017

Editorial

Retrocesso na Lava Jato
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Além da perda do notável juiz, a morte do ministro Teori Zavascki torna incerto os rumos da Operação Lava Jato em um momento decisivo. A expectativa era grande com a proximidade da homologação das delações premiadas de 77 executivos da Odebrecht, prevista para fevereiro com a retomada dos trabalhos do Supremo Tribunal Federal (STF).

Havia uma imensa preocupação no Palácio do Planalto pois pipocavam rumores sobre o teor das delações, principalmente de Marcelo Odebrecht, o “príncipe” da empreiteira, com supostos envolvimentos no esquema de corrupção na Petrobras de ministros muito próximos de Michel Temer e até mesmo do próprio presidente. No início de fevereiro, com o fim do sigilo dos depoimentos, certamente viriam à tona o conteúdo das delações.

 Relator dos processos da Lava Jato no Supremo, Teori Zavascki vinha demonstrando “preocupação com o que tinha para acontecer” por conta das informações a que teve acesso. A revelação de um dos filhos do ministro, Francisco Prehn Zavascki, no dia seguinte de sua trágica morte na queda de um avião em Paraty, aumenta a suspeita em torno do suposto acidente e intensifica o clima de forte instabilidade política e institucional em relação ao desfecho da Operação Lava Jato.

A incerteza sobre a morte de Teori e as consequências na Lava Jato exigem respostas urgentes por parte dos responsáveis pela investigação sobre a queda do avião e pela definição sobre qual ministro do Supremo assumirá a relatoria da operação, se será o indicado por Temer para substituir Teori ou sorteado entre Celso de Mello, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, que compõem a 2ª Turma do STF.

Enquanto prosseguem as indefinições, as teorias da conspiração proliferam e agravam a incerteza não apenas sobre a Lava Jato, mas também sobre o futuro do governo Temer e do ainda frágil processo de ajuste fiscal no País, subordinado aos caprichos e interesses corporativistas do Congresso Nacional, e a expectativa de retomada na economia nacional.

Apesar de circunstâncias e contextos bastante diferentes, já há quem compare as quedas dos aviões do então candidato à Presidência da República Eduardo Campos, justamente no momento em que sua campanha decolava, e de Teori Zavaski, coincidentemente ou não nas vésperas da homologação da megadelação premiada da Odebrecht.

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